No próximo sábado dia 27 decide-se o futuro da presidência do FCPorto, de um lado temos o carisma e história de quem fez de um pequeno, um grande gigante e do outro um vencedor, um sonhador que se apresenta agora às urnas, prometendo projetar o clube para um futuro de modernidade, rumo a novo sucesso.
Sei que precisamos de mudança mas não estou iludido, quaisquer que sejam os resultados das eleições do próximo sábado, esperam-nos períodos de grandes desafios e instabilidade, partilho com vocês a minha visão para o futuro do clube e que pode ser lida por qualquer uma das listas a candidatar-se.
Um clube é uma empresa
Um clube de futebol é uma empresa, como tal para atingir os objetivos a que se propõe tem de garantir de que dispõe das pessoas certas, imbuída da cultura certa (vencedora), com processos eficazes e eficientes, que em conjunto consolidem vantagens competitivas que o aproximem de maiores chances de sucesso e vitória.
Negar esta realidade não é negar o futuro, é negar o presente. São vários os exemplos de como os clubes que se gerem como empresas têm os maiores sucessos desportivos: Bayern de Munique e o seu record de campeonatos consecutivos, RB Leipzig e RB Salzburg que competem por títulos e vencem campeonatos nas respetivas ligas ou ainda mais relevante o histórico FCPorto das primeiras duas décadas deste século, que mantinha uma estrutura tão forte que um qualquer treinador arriscava ser campeão só por passar pelo Dragão.
Uma empresa tem de ser bem gerida
O Porto apresenta neste momento um passivo que ronda os 500 milhões de euros, dos quais à data da apresentação do Relatório de Contas do primeiro semestre da época 23/24, 265 milhões são passivo corrente (por isso executáveis num período de um ano) e embora apresentem cerca de 90 milhões de ativos correntes, iniciamos o dia 1 de janeiro apenas com 8.5 milhões de euros mobilizáveis em caixa, manifestamente pouco para o custo de Gastos com pessoal, acima dos 100 milhões de euros/época.
Este descalabro financeiro só pode ser explicado pelo acumular de más praticas de gestão, intencionais ou não, que só contribuem para distanciar o Porto do sucesso que todos ambicionamos, voltar a ganhar e ganhar repetidamente.
Um clube é uma empresa especial
Se pensarmos de forma abstrata um clube de futebol é uma sociedade cujo sucesso económico depende da valorização de ativos (jogadores), que está intimamente ligada aos processos de geração de valor (scouting, prospeção e desenvolvimento dos jogadores pela equipa técnica), cujo valor facial é altamente volátil e dependente de critérios de sucesso (vencer jogos, fazer boas exibições e vencer competições).
Os clubes que consolidarem os melhores processos de gestão e valorização de ativos e definirem o modelo de negócio com rentabilidade mais elevada que a dos concorrentes (absoluta e/ou percentual) serão aqueles que estarão em melhor posição para alimentar o funil de prospeção futuro e por isso mais perto da vitória seguinte.
Os desafios da empresa FCPorto
É verdade que hoje o FCPorto é uma marca internacional fruto do legado de um homem, mas Jorge Nuno Pinto da Costa não fez história sozinho, o seu sucesso define-se grandemente por ao longo do tempo ter sabido reunir as pessoas certas para o ajudar a conduzir os destinos do clube, seja na direção, na equipa técnica, nos capitães e restantes jogadores.
Infelizmente, ao longo dos últimos anos esse parece não ter sido o caso, a última década foi a menos reluzente para o nosso museu, e a trajetória financeira mostra que não encontraram a melhor forma de gerir a empresa FCPorto, e sem querer, com isso, esqueceram a importância de pensar no presente sem hipotecar o futuro da organização.
Pinto da Costa é e será sempre recordado pelo futebol mundial como o Presidente dos Presidentes! Que se façam estatuas, que se dê nomes a ruas, que se escrevam livros, cantos e odes, celebremos todos a felicidade de podermos ter vivido o seu sucesso.
Não haverá melhor forma de honrar a sua história do que permitir que se faça aqui a passagem de testemunho para um sucessor legítimo, um verdadeiro herdeiro, democraticamente eleito, que impeça a abertura de guerras futuras pela sucessão de autodenominados sucessores que ambicionem para proveito próprio a liderança do clube.
O meu apelo ao voto
Se o meu avô estivesse aqui hoje iria continuar a defender o Pinto de Costa, para ele o presidente foi sempre o homem certo no lugar certo e por isso defenderia a sua permanência à frente do nosso clube, eternamente grato por tudo aquilo que teve a oportunidade de viver.
Aprendi com ele que ao longo da vida podíamos mudar de tudo, de cidade, de país, de nacionalidade, de profissão, de partido, de amor, mudar até de religião, mas de clube nunca, esse seria sempre um amor eterno, seria sempre o nosso clube até morrer.
Sou nascido e criado no Porto, portista desde bébé, saltei os torniquetes das Antas quando era menino, vivi tardes incríveis no estádio antigo, celebrei inúmeros golos no Dragão, chorei pelo Kelvin a ser campeão, vivi os meus longos anos da adolescência num museu, o museu privado do FCPorto que o meu avô criou, fruto do seu amor e dedicação, que tanto o enchia de orgulho, por isso o meu destino era inevitável, penso sinto e respiro azul e branco.

O meu avô fez parte da comissão que apoiou a candidatura do nosso presidente desde o primeiro momento, e desde muito novo me levou para a missão de recolher assinaturas para firmar a recondução da sua liderança, mandato após mandato. Comecei a fazê-lo muito jovem e recordo com carinho a forma como todos os portistas assinavam de bom grado, desejando que o nosso presidente continuasse a alimentar a chama da vitória.
Recordo-me de um dia em que fui para a loja do associado do estádio do dragão recolher assinaturas e um sócio me disse “não”. Não queria assinar por ter tido uma interação com o presidente que o tinha deixado triste, teria tentado cumprimentá-lo sem sucesso e esperava maior simpatia para outro sócio dragão.
Recordo-me com orgulho desse dia, pois foi o primeiro dia da minha vida em que tive a oportunidade de transformar um não em sim, recordo-me de lhe ter dito que lhe pedia a assinatura não pelas qualidades pessoais do homem Jorge Nuno Pinto da Costa, mas antes pelas competências profissionais do nosso presidente, o melhor presidente de todos os tempos.
Guardo com carinho esse dia, talvez por ter sido a primeira “venda” que fiz, uma venda fácil diga-se, ainda assim o dia em que mobilizei um sócio para apoiar o presidente em que eu acreditava que nos poderia continuar a fazer feliz.
Hoje faço-o novamente, volto a tentar mobilizar o apoio no candidato que acredito estar em melhores condições para nos fazer feliz, apelo por isso ao voto na candidatura de André Vilas Boas e escrevo este texto quiçá para convencer um indeciso, ou fazer duvidar um decidido que possa preferir votar em branco e assim em vez de ceder ao sabor da gratidão, possa permitir ao clube abraçar o melhor futuro.
Ao escrever este texto sei que honro a memória do meu avô, honro as convicções que ele me ensinou, devemos lutar pelo que achamos estar certo, e tal como ele disse desde a barriga da sua mãe até ao seu ultimo dia, não há nada mais certo que defender o clube que nos unia, partilho por isso o meu apelo a defender o clube que me inspirou a amar, no próximo 27 é dia de ir ao Dragão, é dia de mudar.
Escrito a 23 de abril de 2024 por João Tiago Teixeira