O que é que torna um Líder verdadeiramente memorável?

Para Simon Sinek, a resposta está na capacidade de criar um legado que transcenda o seu momento. Escolhi o livro Leaders Eat Last para escrever a minha primeira crónica de 2025 porque este moldou o meu crescimento pessoal e profissional, oferecendo os alicerces para aquilo que acredito ser a essência da liderança em contexto organizacional: criar um ambiente de segurança e confiança que permita a uma equipa prosperar.

Embora Sinek seja mais conhecido pelo best-seller Start With Why e pela sua emblemática TED Talk de 2011, vista por milhões de pessoas, considero Leaders Eat Last a sua obra mais transformadora. Entre os muitos materiais que explorei sobre liderança, este livro destaca-se por apresentar o líder que o futuro das organizações necessita: alguém que coloca o coletivo acima de si mesmo e projeta o impacto da sua liderança para lá do seu mandato presente.


O Círculo de Segurança

“Trust is like lubricant. It reduces friction and creates conditions much more conducive to performance.”

Um dos conceitos mais marcantes do livro é o “Círculo de Segurança”. Sinek defende que a verdadeira liderança vai para além do indivíduo, centrando-se em criar um ambiente onde a confiança floresça, haja espaço para errar e as equipas se sintam seguras para colaborar.

O impacto de um ambiente de confiança é evidente e quando os líderes falham em construir este contexto, as equipas tendem a fragmentar-se em subgrupos, reduzir a comunicação e fomentar uma competição interna prejudicial. Embora alguns possam argumentar que esta competitividade pode estimular o crescimento e a procura por melhores resultados, Sinek lembra-nos que essas vitórias são geralmente individuais e alcançadas à custa do coletivo – um contexto de win-lose que não beneficia o todo da organização.

Por outro lado, as equipas que operam dentro de um Círculo de Segurança “viram as costas para dentro”, protegendo-se mutuamente enquanto enfrentam desafios externos. Este modelo promove uma comunicação aberta, capacidade para experimentar e inovar, partilha de informações e a construção de um ambiente onde o todo é sempre mais forte do que a soma das partes. A competição está lá fora e esse é foco que garante às empresas ficar mais perto de vencer os concorrentes no mercado.


Liderança e Responsabilidade

Para Sinek, assumir uma posição de liderança não significa usufruir de privilégios, mas aceitar o bem mais precioso que lhe é confiado: a responsabilidade pelos outros, especialmente por aqueles que dependem de si.

O líder é responsável pelo sucesso daqueles que o seguem e, por extensão, de toda a organização. Sinek defende que os melhores líderes são aqueles que assumem totalmente esta responsabilidade e são capazes de a conjugar com o ato de delegar autoridade às pessoas mais próximas da informação, da ação ou do cliente, permitindo que se tomem decisões mais rápidas e alinhadas com visão organizacional.

Isto só é possível em organizações que praticam o que ele advoga no seu Start With Why. Só onde o “porquê” é claro para todos é que é possível implementar este tipo de abordagem, pois este “porquê” fornece a bússola necessária para orientar as pessoas a decidir bem em cenários desconhecidos e incertos. O sucesso neste ponto é particularmente relevante para todos os líderes que enfrentam um desafio “impossível”: responder rápida e eficazmente às urgências do dia a dia, numa realidade em que são todos obrigados a fazer mais com menos e ao mesmo tempo desenvolver equipas de elevada performance, autónomas e competentes.


O Legado da Liderança

“A leader’s legacy is only as strong as the foundation they leave behind that allows others to continue to advance the organization in their name.”

Esta frase encapsula a essência do que Sinek considera ser o verdadeiro impacto de um líder. O legado de um líder não deve ser apenas a nostalgia por um tempo passado, mas sim uma base sólida que permite à organização prosperar depois da sua ausência.

A qualidade da liderança exercida é um fator crítico de sucesso para a competitividade das empresas, seja na retenção de talento, seja no equilíbrio entre a flexibilidade e agilidade exigidas pelos clientes e a escalabilidade necessária ao crescimento e criação de valor para os acionistas. Líderes que criam ambientes de confiança e promovem autonomia não estão apenas a preparar as suas equipas para lidar com o desconhecido, estão sobretudo a garantir que se desenvolvem os líderes na organização, e que o impacto do seu trabalho ecoe no futuro.

Para quem procura explorar uma visão humana e transformadora da liderança, Leaders Eat Last é uma leitura indispensável. Recomendo a versão original, escrita num inglês simples e envolvente, mas existe também uma excelente tradução para português intitulada Os Líderes Comem por Último.

E tu, como líder, conseguiste criar um Círculo de Segurança para a tua equipa? O legado que estás a construir hoje será recordado como nostalgia ou como um marco de transformação?

Escrito a 14 de janeiro de 2024 por João Tiago Teixeira

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Podes encontrar o livro original aqui

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