Uma uva passa pela Leitura

Dezembro e janeiro são já conhecidos meses de retrospetivas e reflexões, de definição de novos objetivos e desafios, e não poderia deixar de partilhar convosco algumas ideias sobre os meus hábitos de leitura.

Começo por vos dizer que não, não cumpri o meu objetivo no Goodreads. Desafiei-me em 2022, já que defini uma meta bem mais elevada do que em anos anteriores. Vinha bem lançada de 2021 com uns bons livros na conta, mas ainda assim não risquei esta meta a que me propus.

Não partilho isto como uma nota de pesar ou enquanto me castigo por não ter cumprido ou impressionado quem me segue por lá. A verdade é que nem sempre me apetece ler, e está tudo bem com isso! Acontece-me em alturas de maior cansaço mental ou épocas de maior stress no trabalho, ou simplesmente porque, como tantos vocês, me perco nas redes sociais a ver vídeos de gatos fofinhos ou comidas que guardo e que nunca chego a fazer (o primeiro passo para mudar um mau hábito é admiti-lo, certo?).

E 2022 foi muito disto: dias de leitura ávida, a dias sem vontade mental para ler um livro. Foi muito de livros devorados em pouco tempo, a outros com os quais lutei para lhes dar uma oportunidade.

Sobre as leituras de 2022 já vos falei de Agualusa que me encheu o coração com o “Milagrário Pessoal” (podem ler mais aqui) e li também a “A Sociedade de Sonhadores Involuntários”. Comecei a descobrir Leonardo Padura e o seu amigo polícia Mario Conde, numa ida a Cuba de que vos vou falar mais assim que terminar o Quarteto de Havana. Li livros daqueles que se devoram em horas, e em que percebes o porquê de todos o andarem a ler, como foi o caso do “Verity” da Colleen Houver. Mas também li outros que me desiludiram, como o “The Atlas Six”, em que ficas triste por uma história com tanto potencial ser subaproveitada. João Reis aqueceu-me o coração com o seu “A avó e a Neve Russa”, num romance emotivo sobre a inocência e a sua perda. Entre tantos outros mais que folheei este ano.

Para este novo ano voltei a definir um objetivo de leitura ambicioso. Agora com uma mudança de mindset e numa clara tentativa de exponenciar os meus hábitos, e acima de tudo, de aproveitar da melhor forma o meu tempo livre.

Já coloquei alguns livros em espera, e entre outros tantos outros autores, decidi que os próximos tempos serão de redescoberta da obra daquele que é um dos meus escritores favoritos: José Saramago.
Como boa amante de livros também disse em voz alta– talvez para me tentar convencer – que neste novo ano não irei comprar muitos mais livros até terminar a(s) pilha(s) de livros que tenho espalhadas pela casa (sim, a mesinha de cabeceira já não chega). Não vos soa mesmo a promessa vã? Qual objetivo de fitness que fazemos a cada ano e deixamos de cumprir lá para abril?

Quanto a vocês, não sei em que promessas gastaram as vossas uvas passas, mas desafiem-se. Seja a recomeçar a ler ou a ler mais um, dois livros este ano. Não se “obriguem”, e mantenham o hábito de disfrutar de umas páginas uns minutos por dia, seja nas idas para o trabalho seja antes de dormir. E se não estiver a ser do vosso agrado, deixem o livro de lado e encontrem o tipo de livro que vos dá prazer. O importante é isso mesmo, aproveitar!

Um novo ano cheio de grandes histórias e boas leituras, quanto a mim estarei por aqui para partilhar convosco as (re)descobertas de 2023!

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