Prosperidade ou liberdade? O que escolhias?

Quanto ao dilema, Prosperidade ou Liberdade? Hoje em Portugal e na Europa isto é ainda uma falsa questão. Esperemos no futuro poder continuar a responder assim, pois noutros países optar pelos dois não é resposta.

Perante um dilema onde sejam obrigados a escolher entre prosperidade ou liberdade o que é que responderiam? Na China as pessoas respondem todos os dias prosperidade e tenho dúvidas que na sua essência, algum de nós entre ter de escolher dizer o que pensa ou alimentar um filho seja capaz de decidir de forma diferente.  

A desigualdade e a falta de perspetivas de futuro, sobretudo para os mais jovens, está a levar ao descrédito na democracia. O sistema político atual não se está a mostrar capaz de defender os interesses dos mais vulneráveis e infelizmente a vulnerabilidade parece estar a atingir uma população crescente.

Porque é que num sistema democrático onde todos votam, os votos valem todos o mesmo e o grupo dos vulneráveis aparentemente cresce, o processo eleitoral não leva à escolha de uma alternativa que os proteja e defenda?

Entre outras possibilidades podem surgir explicações como:

  • Nem todos podem votar
  • O voto não é válido
  • Os eleitos não os defendem por falsas promessas
  • Os eleitos não os defendem por verdadeira incapacidade
  • O sistema estando viciado impede os eleitos de os defender

Independentemente da opinião de cada um e de qual seja a resposta certa, está a desenvolver-se um contexto que legitima dúvidas sobre o futuro do pluralismo e das democracias liberais e que suporta a ascensão de um populismo totalitário travestido de conversa de café que rejeita o sistema por opção, independentemente da veracidade de qualquer uma das opções anteriores.

Este é um contexto que alimenta o crescimento do populismo em Portugal e na Europa, um fenómeno que se alimenta de diferentes origens que se suportam entre si tal e qual um ciclo vicioso:

Se aquilo que procuramos é proteger os vulneráveis, estar neste rumo não seria um problema, não fosse este um caminho que levasse a um futuro ainda mais negro e austero do que aquele em que já estamos.

Os sistemas totalitários não são conhecidos pela sua apetência redistributiva de recursos. Ao longo da história repetem-se os exemplos dos sistemas autoritários que se servem de um sistema feudal, de classes ou castas onde as elites se aproveitam dos estratos societais inferiores.

Daron Acemoglu e James Robinson exploram esta matéria de forma brilhante no livro “Porque Falham as Nações”, onde explicam como ao longo da história da humanidade os sistemas liderados por elites totalitárias têm tendência para tomar todas as ações que lhes sejam permitidas, de foro económico e institucional, para persistir no poder, manter o status quo e amplificar a relação extrativa de recursos.

A democracia liberal e o capitalismo afiguraram-se ao longo do tempo como os melhores mecanismos disponíveis para substituir elites e permitir redistribuição de poder.

Este é um sistema que permite aos interesses emergentes lutar com os instalados, o que é um garante da existência de um contexto mais livre e aberto ao sucesso económico e social, o que aumenta a flutuação de indivíduos entre os diferentes estratos societais, que de outro modo estariam condenados ao seu fado de nascença.

Ao longo dos últimos anos fomos assistindo ao entrincheiramento dos partidos políticos, mergulhados num transe dialético entre eixos político-imaginários, em tacticismos e jogadas políticas que em nada contribuem para resolver os problemas que afetam as pessoas, arriscando a destruição do sistema que juram defender e servir. Não há inocentes, da esquerda à direita todos os partidos devem assumir a sua quota de responsabilidade e abraçar ações que protejam o futuro do sistema.

Não podemos discutir alternativas ao capitalismo sem discutir alternativas ao pluralismo e à democracia liberal (pelo menos como a conhecemos). É por isso interesse do sistema vigente, do interesse de todos os partidos em especial dos que estão na oposição, refletir sobre o futuro da sociedade, sobre o futuro que querem para as gerações seguintes e sobre como é que no atual contexto bélico, de crise climática, pandémica e inflacionista podem a curto prazo reduzir a pobreza e a desigualdade sem comprometer uma estratégia de longo prazo que devolva à sociedade a esperança de uma prosperidade devida.

Quanto ao dilema, Prosperidade ou Liberdade? Hoje em Portugal e na Europa isto é ainda uma falsa questão. Esperemos no futuro poder continuar a responder assim, pois noutros países optar pelos dois não é resposta.

Image Credit: Orlando Almeida/Global Imagens in Diario de Notícias

Um pensamento em “Prosperidade ou liberdade? O que escolhias?”

Deixe um comentário